Borzói
Guia completo da raça Borzói. Conheça personalidade, cuidados e muito mais.

Borzói: o gigante gentil que vai roubar seu sofá
Alto, elegante e apegado à família: descubra tudo sobre o galgo russo
Ficha Técnica
Você já viu um cachorro que parece uma escultura em movimento? O Borzói é exatamente isso. Com sua silhueta esguia, focinho alongado e pelagem sedosa, ele é um dos cães mais altos do mundo — e também um dos mais elegantes. Mas não se engane pela aparência aristocrática: por trás desse porte de nobre russo, existe um cão extremamente apegado à família, que sofre se passar muito tempo longe dos seus humanos.
Criado originalmente para caçar lobos nas estepes congeladas da Rússia, o Borzói carrega um paradoxo fascinante: dentro de casa, é um verdadeiro sofá-vivo, calmo e tranquilo; mas quando põe as patas na rua, vira um atleta explosivo, correndo como se não houvesse amanhã. É essa dualidade que conquista tutores no mundo inteiro — e que também exige preparo.
Neste guia, vou te contar tudo o que você precisa saber sobre o Borzói: desde a personalidade cativante até os cuidados específicos com saúde, alimentação e convivência. Sem rodeios, sem achismos — só informação de verdade pra você decidir se esse gigante peludo é o parceiro ideal pra sua vida.
Impossível passar despercebido. O Borzói é um dos cães mais altos do mundo, medindo entre 65 e 82 cm de altura na cernelha — o que significa que, nas patas traseiras, ele pode facilmente colocar a cabeça na altura da sua cintura. O peso varia de 25 a 47 kg, mas a impressão que ele causa é de leveza, quase como se flutuasse. O corpo é longo, esguio, com um tórax profundo e estreito e uma barriga bem desenhada, típica dos galgos.
A cabeça é longa e estreita, com um focinho afilado que lembra o de um galgo inglês, mas com um detalhe que faz toda a diferença: a pelagem. Diferente dos galgos de pelo curto, o Borzói tem uma camada dupla de pelos — um subpelo macio e uma camada externa mais longa, lisa e levemente ondulada. As cores mais comuns são o branco, creme, dourado, cinza e combinações com manchas escuras.
E não para por aí: o pelo forma franjas elegantes nas orelhas, no pescoço, na cauda e na parte de trás das coxas. Quando ele corre, parece que está vestindo uma capa. É de tirar o fôlego. Mas, convenhamos, essa beleza toda também significa mais trabalho com a escovação — e mais pelos espalhados pela casa.
Viver com um Borzói é uma experiência única — e, confesso, um pouco contraditória. Ele ocupa espaço, solta pelo e pode ser teimoso. Mas, em compensação, é um dos cães mais elegantes, calmos e leais que você vai conhecer. Vamos ver como ele se adapta a diferentes situações:
Com crianças: O Borzói pode ser um ótimo companheiro para crianças, especialmente se crescer com elas. Ele é paciente e raramente agressivo, mas não é um cão de brincadeiras brutas. Crianças muito pequenas, que ainda não aprenderam a respeitar o espaço do animal, podem estressá-lo. O ideal é supervisionar a interação e ensinar os pequenos a não puxar pelos ou orelhas. Com crianças mais velhas, que gostam de correr e brincar ao ar livre, a parceria é perfeita.
Com outros pets: A convivência com gatos costuma ser tranquila, especialmente se o Borzói for criado com eles desde filhote. Já com outros cães, ele pode ser seletivo. Não é agressivo, mas pode estranhar cães que não conhece. A socialização precoce é a chave. Uma dica: evite parques muito lotados no início. Apresente-o gradualmente a cães calmos e amigáveis.
Apartamento? É possível, mas não é o ideal. O Borzói não é um cão que late muito ou destrói móveis, mas ele precisa de espaço pra se esticar e de um local pra correr. Se você mora em apartamento, prepare-se para passeios longos e frequentes — pelo menos duas saídas por dia, uma delas com oportunidade de corrida. Sem isso, ele pode ficar entediado e desenvolver comportamentos indesejados. Um quintal cercado é o cenário ideal.
A história do Borzói é tão fascinante quanto o próprio cão. Originário da Rússia, ele foi criado há séculos pela nobreza russa para uma função bem específica: caçar lobos. Sim, você leu certo — lobos. Em matilhas de dois ou três, os Borzóis eram soltos para perseguir e imobilizar lobos nas vastas estepes congeladas, enquanto os caçadores a cavalo finalizavam a captura.
O nome "Borzói" vem do russo "borzoy", que significa "rápido" ou "veloz". E não é pra menos: esses cães eram selecionados justamente pela velocidade, agilidade e coragem. A caça ao lobo era um esporte aristocrático, e os Borzóis eram tratados como verdadeiros tesouros — vivendo em palácios, dormindo em almofadas de seda e sendo alimentados com carne fresca.
Com a Revolução Russa de 1917, a raça quase foi extinta. Os criadores nobres foram perseguidos, e muitos cães foram mortos ou abandonados. Felizmente, alguns exemplares foram levados para outros países da Europa e para os Estados Unidos, onde a raça foi preservada. Hoje, o Borzói é um cão raro no Brasil, mas conquista corações por onde passa — não como caçador de lobos, mas como um companheiro elegante, calmo e extremamente apegado à família.
O Borzói é um cão maravilhoso, mas não é para qualquer um. Ele exige tempo, espaço e, acima de tudo, presença. Se você é do tipo que:
- Adora passar horas no sofá com seu cachorro (ele vai ocupar 90% dele)
- Tem um quintal cercado ou acesso a um local seguro para corridas
- Tem paciência para um adestramento que exige mais jogo de cintura do que força
- Não se importa de dividir a casa com pelos longos e sedosos
- Consegue ficar em casa ou levar o cão para passeios longos diariamente
Então, o Borzói pode ser o parceiro ideal. Ele vai te recompensar com lealdade, elegância e uma calma que contrasta com o tamanho imponente.
Agora, se você:
- Passa o dia fora e não tem como levar o cão ou contratar um pet sitter
- Mora em apartamento pequeno sem acesso fácil a áreas verdes
- Espera um cão 100% obediente que obedece na hora
- Não está disposto a lidar com pelos e escovação regular
Talvez seja melhor considerar outra raça. O Borzói sofre quando fica sozinho — e um cão triste não é justo nem pra ele, nem pra você.
Guia de Cuidados
Exercício
O Borzói precisa de espaço e movimento. Não adianta achar que ele vai se contentar com 10 minutinhos de passeio na calçada. O ideal é oferecer pelo menos 30 a 40 minutos de caminhada diária, com momentos de corrida livre em um local seguro (como um quintal cercado ou um parque canino). Lembre-se: ele é um galgo, e correr está no DNA dele. Mas atenção redobrada: **nunca** deixe ele solto em área aberta sem supervisão. O instinto de caça é forte e ele pode simplesmente disparar atrás de um gato ou esquilo e se perder.
Higiene
A pelagem longa e sedosa do Borzói exige escovação regular — pelo menos 2 a 3 vezes por semana. Use uma escova de cerdas macias ou um pente de dentes largos para evitar nós. A tosa não é necessária, a não ser em regiões específicas (como entre os dedos das patas ou ao redor do ânus) quando os pelos estão muito compridos. Banhos podem ser dados a cada 15 ou 20 dias, com xampu específico para pelagens longas. E não esqueça de verificar as orelhas e cortar as unhas regularmente.
Saúde
O Borzói é uma raça relativamente saudável, mas tem algumas vulnerabilidades. A mais grave é a **torção gástrica** — uma emergência que pode ser fatal. Para prevenir, evite que ele faça exercícios físicos (ou mesmo corra pela casa) até uma hora depois de comer ou beber muita água. Outro ponto de atenção: como a maioria dos galgos, ele pode ser mais sensível a anestésicos. Converse com seu veterinário sobre protocolos seguros. A displasia coxofemoral também pode aparecer, mas criadores sérios excluem animais afetados da reprodução. A expectativa de vida é de 8 a 10 anos.
Alimentação
Ração de qualidade, com boa quantidade de proteína animal, é o básico. O Borzói não é um cão propenso à obesidade, mas o metabolismo dele é diferente — ele queima energia em explosões curtas. Ofereça a porção recomendada pelo fabricante (geralmente entre 400g e 600g por dia, dividida em duas refeições) e evite petiscos em excesso. Água fresca sempre disponível, claro.
Adestramento
Prepare-se para um desafio. O Borzói é inteligente, mas teimoso. Ele não responde bem a comandos repetitivos ou métodos coercitivos. O segredo é usar reforço positivo (petiscos, elogios, brincadeiras) e manter as sessões curtas e divertidas. Socialização desde filhote é indispensável: apresente-o a diferentes pessoas, ambientes, sons e outros animais. Quanto mais cedo, melhor.
Curiosidades
- Você sabia? O Borzói é um dos cães mais altos do mundo, rivalizando com o Irish Wolfhound e o Great Dane. Um exemplar adulto pode facilmente encostar o focinho na mesa de jantar sem se esforçar.
- Olha que interessante: diferente da maioria dos galgos, que têm pelo curto, o Borzói possui uma pelagem dupla e levemente ondulada, que forma franjas elegantes nas orelhas, pescoço e cauda. É como se ele usasse uma capa personalizada.
- Isso pouca gente sabe: o Borzói foi criado para caçar lobos em matilhas de dois ou três cães. Ele não matava a presa — apenas a imobilizava até a chegada do caçador a cavalo. Um verdadeiro estrategista.
- Vai te surpreender: apesar do porte atlético, o Borzói é um dos cães mais quietos dentro de casa. Ele late muito pouco (nota 2/5) e adora passar horas deitado no sofá, quase como um gato gigante.
- Curiosidade histórica: com a Revolução Russa de 1917, a raça quase foi extinta. Os criadores nobres foram perseguidos, e muitos cães morreram. A salvação veio com exemplares levados para a Europa e EUA por aristocratas que fugiram do país.
- Você sabia? O Borzói tem uma sensibilidade maior a anestésicos, assim como outros galgos. Por isso, é essencial informar ao veterinário sobre a raça antes de qualquer procedimento cirúrgico.
Perguntas Frequentes
1O Borzói se adapta bem a apartamentos?
Sim, é possível, mas com ressalvas. O Borzói não é um cão que late ou destrói móveis, o que ajuda na convivência em espaços menores. No entanto, ele precisa de pelo menos duas saídas diárias para caminhada e, de preferência, uma oportunidade de correr livremente em um local seguro. Se você mora em apartamento, prepare-se para passeios longos e frequentes. Um quintal cercado é o cenário ideal, mas não obrigatório — desde que você compense com atividade física. O maior desafio não é o espaço, mas a solidão: o Borzói é extremamente apegado e sofre se passar muitas horas sozinho.
2O Borzói solta muito pelo?
Sim, solta bastante, especialmente durante as trocas de estação (primavera e outono). A pelagem longa e dupla do Borzói exige escovação regular — pelo menos 2 a 3 vezes por semana — para remover pelos mortos e evitar a formação de nós. Durante a época de troca, a escovação pode ser necessária diariamente. Invista em um bom aspirador de pó e em rolos adesivos para roupas, porque os pelos vão estar por toda parte. Mas, convenhamos: a beleza da pelagem compensa o trabalho extra.
3O Borzói é um bom cão para famílias com crianças?
Depende da idade das crianças e do nível de socialização. O Borzói é paciente e gentil, mas não é um cão de brincadeiras brutas. Crianças muito pequenas, que ainda não aprenderam a respeitar o espaço do animal, podem estressá-lo. O ideal é que as crianças sejam orientadas a não puxar pelos, orelhas ou cauda, e a não incomodar o cão enquanto ele dorme ou come. Com crianças mais velhas, que gostam de correr e brincar ao ar livre, a parceria é excelente. A supervisão de um adulto é sempre recomendada, especialmente nos primeiros contatos.
4Quais são os principais cuidados de saúde com o Borzói?
O Borzói é uma raça relativamente saudável, mas tem dois pontos críticos de atenção. O primeiro é a torção gástrica, uma emergência potencialmente fatal. Para prevenir, evite que ele faça exercícios físicos até uma hora depois de comer ou beber muita água. O segundo é a sensibilidade a anestésicos, comum entre os galgos. Sempre informe ao veterinário sobre a raça antes de qualquer procedimento. Além disso, fique atento à displasia coxofemoral, que pode afetar alguns exemplares. Exames preventivos e check-ups regulares são fundamentais para garantir uma vida longa e saudável (8 a 10 anos).
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